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Borboleta Atlas blue é confirmada com 229 pares de cromossomos, recorde entre animais

Cientista jovem analisa genética digital de borboleta azul em laboratório moderno com gráficos de DNA.

Uma borboleta discreta conhecida como Atlas blue foi confirmada como o animal com o maior número conhecido de pares de cromossomos.

A espécie rara (Polyommatus atlantica), nativa das montanhas do Norte da África, pode apresentar até 229 pares por célula.

Para efeito de comparação, a maioria das outras borboletas tem 31 ou 32 pares. Já nós, humanos, temos 23 pares no núcleo de cada uma das nossas células.

Cromossomos na Atlas blue em contexto com outras espécies

Algumas plantas superam a Atlas blue em quantidade total de cromossomos, como a samambaia língua-de-cobra (Ophioglossum reticulatum), com 720 cromossomos por célula. A diferença é que essas plantas podem ter até dez conjuntos de DNA - enquanto a Atlas blue tem apenas dois.

Sequenciamento genético e o caso extremo da Atlas blue

"When we set out to start to understand evolution in butterflies, we knew we had to sequence the most extreme, and somewhat mysterious, Atlas blue butterfly," diz a primeira autora Charlotte Wright, bióloga evolutiva no Wellcome Sanger Institute, no Reino Unido.

O comportamento cromossômico da Atlas blue é um exemplo extremo de evolução dos cromossomos que os cientistas querem compreender melhor. Em cada célula, os portadores de seus genes são excepcionalmente pequenos, até mesmo para uma borboleta.

Wright e seus colegas suspeitam que, no intervalo relativamente "rápido" de três milhões de anos, os autossomos da borboleta (cromossomos não sexuais) tenham se fragmentado intensamente.

Após centenas de eventos de "divisão", os cerca de 24 cromossomos ancestrais originais teriam se multiplicado até chegar a 229. As quebras ocorreram em regiões onde o DNA estava menos compactado e, por isso, mais fácil de separar.

Em geral, alterações cromossômicas desse tipo são consideradas prejudiciais à vida - ainda assim, a borboleta Atlas blue persiste há milhões de anos.

Limites evolutivos: cromossomos sexuais menos fragmentados

Mesmo assim, os cromossomos sexuais em grande parte resistiram à fragmentação, o que sugere a existência de um limite evolutivo.

"Breaking down chromosomes has been seen in other species of butterflies, but not on this level, suggesting that there are important reasons for this process which we can now start to explore," diz o biólogo evolutivo Roger Vila, do Institute of Evolutionary Biology, na Espanha. Vila liderou a equipe que coletou espécimes selvagens para o estudo genético.

"Rearranging chromosomes is also seen in human cancer cells," acrescenta o genomicista Mark Blaxter, do Wellcome Sanger, "and understanding this process in the Atlas blue butterfly could help find ways to limit or stop this in cancer cells in the future."

O estudo foi publicado na revista Current Biology.

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